quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

William Rothenstein (1872–1945).

John Singer Sargent (1856–1925).

Eric Kennington (1888-1960).

Livro de referência: "Seven Pillars of Wisdom: A Triumph", de T.E.Lawrence; Anchor Books, Nova Iorque, 1991.

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Richard Wagner (1813-1883), Canções a Mathilde Wesendonck



1. Der Engel
In der Kindheit frühen Tagen
Hört' ich oft von Engeln sagen,
Die des Himmels hehre Wonne
Tauschen mit der Erdensonne,
Dass, wo bang ein Herz in Sorgen
Schmachtet vor der Welt verborgen,
Dass, wo still es will verbluten,
Und vergehn in Tränenfluten,
Dass, wo brünstig sein Gebet
Einzig um Erlösung fleht,
Da der Engel nieder schwebt,
Und es sanft gen Himmel hebt.
Ja, es stieg auch mir ein Engel nieder,
Und auf leuchtendem Gefieder
Führt er, ferne jedem Schmerz,
Meinen Geist nun himmelwärts.


1. O Anjo
Muitas vezes na infância, ouvi falar
de anjos que trocam os sublimes
prazeres do Céu pelo sol da terra, e que,
onde um coração dolorido se oculta
do mundo, onde ele se cala, sangrando
e desfazendo-se em lágrimas, onde a sua
prece fervorosa implora apenas a sua
redenção, aí o anjo desce para
suavemente o elevar ao Céu.
Sim, também sobre mim desceu um anjo
Que ergue agora, nas suas penas luminosas,
Longe de todo o sofrimento, o meu espírito
Para as alturas.


2. Stehe still!
Sausendes, brausendes Rad der Zeit,
Messer du der Ewigkeit;
Leuchtende Sphären im weiten All,
Die ihr umringt den Weltenball;
Urewige Schöpfung, halte doch ein,
Genug des Werdens, lass mich sein!
Halte an dich, zeugende Kraft,
Urgedanke, der ewig schafft!
Hemmet den Atem, stillet den Drang,
Schweigend nur eine Sekunde lang!
Schwellende Pulse, fesselt den Schlag;
Ende, des Wollens ewger Tag!
Dass in selig süssem Vergessen
Ich mög alle Wonnen ermessen!
Wenn Aug' in Auge wonnig trinken,
Seele ganz in Seele versinken;
Wesen in Wesen sich wieder findet,
Und alles Hoffens Ende sich kündet;
Die Lippe verstummt in staunendem Schweigen,
Keinen Wunsch mehr will das Innre zeugen:
Erkennt der Mensch des Ewgen Spur,
Und löst dein Rätsel, heil'ge Natur!


2. Pára
Roda o tempo, que ruges e murmuras,
medidora da Eternidade, esferas luzentes
no vasto todo que rodeais o Mundo;
criação eterna, pára, basta de devir,
deixa-me ser!
Sustém-te, força geradora, ideia original,
criador eterno! Detém a respiração, cala
o teu impulso, fica em silêncio só por
um minuto. Pulsos inchados, reprimi
as pancadas, acaba, eterno dia do Querer!
Para que em doce e abençoado
esquecimento, eu possa apreciar toda
a felicidade! Quando os olhos nos olhos
bebem docemente e a alma se afunda
completamente na alma; quando o ser
no ser se reencontra e se anuncia o fim
de toda a esperança, os lábios emudecidos
num silêncio maravilhado e o mundo
interior nada mais deseja: o homem
reconhece o sinal da Eternidade
e descobre o teu enigma, ó santa natureza!


3. Im Treibhaus
Hochgewölbte Blätterkronen,
Baldachine von Smaragad,
Kinder ihr aus fernen Zonen,
Saget mir, warum ihr klagt?
Schweigend neiget ihr die Zweige,
Malet Zeichen in die Luft,
Und, der Leiden stummer Zeuge,
Steiget aufwärts süsser Duft,
Weit in sehnendem Verlangen
Breitet ihr die Arme aus,
Und umschlinget wahnbefangen
Öder Leere nichtgen Graus
Wohl, ich weiss es, arme Pflanze:
Ein Geschicke teilen wir,
Ob umstrahlt von Licht und Glanze,
Unsre Heimat ist nicht hier!
Und wie froh die Sonne scheidet
Von des Tages leerem Schein,
Hüllet der, der wahrhaft leidet
Sich in Schweigens Dunkel ein.
Stille wird's, ein säuselnd Weben
Füllet bang den dunkeln Raum:
Schwere Tropfen seh ich schweben
An der Blätter grünem Saum.


3. Na Estufa
Coroas de folhagem em elevadas abóbadas,
baldaquins de esmeraldas, filhos de
remotas zonas, dizei-me, porque vos
lamentais? Inclinais os ramos em silêncio,
pintais desenhos no ar e, mudas
testemunhas do sofrimento, espalhais um
doce perfume. Largamente, em nostálgica
inquietação, estendeis os vossos braços
e abraçais, iludidas, o horror do vácuo ermo.
Bem o sei, pobres plantas, repartimos
um destino idêntico, embora rodeados
de luz e esplendor, não é esta a nossa pátria!
E como o sol se despede jubiloso da
claridade vazio do dia, também aquele
que verdadeiramente sofre se envolve
nas trevas do silêncio. Vem a inquietação
uma oscilação sussurrante enche, trémula,
o espaço escuro: vejo pesadas gotas
vacilarem na orla verde da folhagem.


4. Schmerzen
Sonne, weinest jeden Abend
Dir die schönen Augen rot,
Wenn im Meeresspiegel badend
Dich erreicht der frühe Tod;
Doch erstehst in alter Pracht,
Glorie der düstren Welt,
Du am Morgen neu erwacht,
Wie ein stolzer Siegesheld!
Ach, wie sollte ich da klagen,
Wie, mein Herz, so schwer dich sehn,
Muss die Sonne selbst verzagen,
Muss die Sonne untergehn?
Und gebieret Tod nur Leben,
Geben Schmerzen Wonnen nur:
O wie dank' ich dass gegeben
Solche Schmerzen mir Natur!


4. Sofrimentos
Sol, choras todas as tardes até os teus
belos olhos ficarem vermelhos, quando,
mergulhando no espelho do mar, te alcança
a morte prematura; renasces, porém com o
antigo esplendor, glória do mundo sombrio,
despertando de manhã, novamente, como
um herói triunfante e orgulhoso! Ah, como
poderia lastimar-te, como, coração, ver-te
tão oprimido, se o próprio sol conhece
o desalento, se ele próprio se extingue?
E se só a morte gera a vida, só os
sofrimentos dão prazer: Oh, quanto grata
estou à natureza por todo este penar!


5. Träume
Sag', welch wunderbare Träume
Halten meinen Sinn umfangen,
Dass sie nicht wie leere Schäume
Sind in ödes Nichts vergangen?
Träume, die in jeder Stunde,
Jedem Tage schöner blühn,
Und mit ihrer Himmelskunde
Selig durchs Gemüte ziehn!
Träume, die wie hehre Strahlen
In die Seele sich versenken,
Dort ein ewig Bild zu malen:
Allvergessen, Eingedenken!
Träume, wie wenn Frühlingssonne
Aus dem Schnee die Blüten küsst,
Dass zu nie geahnter Wonne
Die der neue Tag begrüsst,
Dass sie wachsen, dass sie blühen,
Träumend spenden ihren Duft,
Sanft an deiner Brust verglühen,
Und dann sinken in die Gruft.


5. Sonhos
Diz, que maravilhosos sonhos me exaltam
o espírito, sem se desfazerem como
espuma vazia no desolado nada? Sonhos
que em cada hora em cada dia,
florescem mais belos e que, com a sua
mensagem divina, me atravessam a mente
como bênçãos. Sonhos que, como raios
celestiais me penetram a alma para nela
pintarem uma imagem eterna: tudo
esquecer, um só lembrar! Sonhos que,
como o sol primaveril beijando as flores
libertas da neve e, entre delícias
insuspeitadas, lhes dá as saudações do novo
dia, as faz crescer, desabrochar, espalhar,
sonhando, a sua fragrância, murchar
suavemente no teu peito e descer, depois,
à sepultura.

(Tradução de Adriana Latino).

Livro de referência: "De Cabeça Para Baixo/ Noli Me Tangere", de Alberto Velho Nogueira; Homem à Janela, s.l., 2009.
O avô de Ferlinghetti, poeta e editor nonagenário

Lawrence Ferlinghetti (n. 1908).

(...) Herman Mendes-Monsanto, was the son of a wealthy broker on St. Thomas, where his family had come from Portugal, via the Netherlands Antilles.

Livro de referência: "Ferlinghetti: the Artist in His Time", de Barry Silesky; Warner Books, Nova Iorque, 1990.

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Wachsmann, Dr. Fred- MILAGRE E FÉ NA CURA (ESTUDO CLÍNICO DO MISTERIOSO PODER DOS CURADORES), ed. autor, Lisboa, 1953.

Um médico, alemão(?), residente em Portugal e autor de outras obras – como sejam “Os Padres Faria, peça histórica e patriótica (“A Conjuração de Gôa” e o primeiro hipnotizador do mundo, um português)” ou “Como eu vi a Serra da Estrela, ricamente ilustrada e com um mapa aerofotográfico” -, aborda neste livro temas tão candentes como “O Rasputin Feminino” ou “O Mestre Divino que tratava os doentes com requeijão”.

LIVRO DOS FINALISTAS DE TEOLOGIA, Seminário de Coimbra, 1956.

Caricaturas e quadras dos padres Adelino Marques, Alfredo Dionísio, António Francisco, Aurélio de Campos, Carlos Cosme, Joaquim Claro, José de Brito, José Marques e Manuel Pedrosa.
Uma fotografia de conjunto remata o ramalhete.

Delgado, Santos- AS ORIGENS DOS MICRÓBIOS, Tipografia Vieira, Lisboa, 1934.

Inserido na “Colecção Santos Delgado”, “preparador tècnico de vinhos finos” e autor do enigmático título “Portugal através da descripção”, este livro faz figurar na capa uma frase do mesmo que indicia claramente os propósitos do seu contéudo: “Os micróbios são mortíferos: destruí-los é a missão do homem!”.

Agostinho, Artur- ATÉ NA PRISÃO FUI ROUBADO!, Área- Sociedade de Comunicação Visual (em constituição), s.l., 1976.


Muito antes de os jornalistas das televisões terem descoberto os seus talentos literários, já o bom velho relator desportivo e galã de sopeiras cinéfilas, o inolvidável Artur Agostinho, lançara mãos à obra para, com minúcia, descrever as desditas que a “Revolução dos Cravos” lhe impôs.
Capítulos como “Copacabana em...Caxias” ou “...mas os “golpes” são como as melancias”, que, por acaso, até rimam e têm ambos reticências, são obrigatórios para a compreensão do P.R.E.C..

Zart, Zitá- MIRAGEM (POESIA), ed. da autora, Lisboa, 1973.

Um livro que vale uma Literatura. A capa apresenta Zitá (não Zita) Zart levantando uma saia vistosa, de modo a deixar adivinhar provocante cueca, e uma breve nota biográfica descreve-a como “bomba atómica da beleza” e “o amor perfeito na arte de dizer”. Em contraste (ou talvez não), no interior, figura uma carta facsimilada do Prof. Salazar, a par da seguite quadra:
“Obrigado, Salazar
Obrigado mil vezes
Por seres tão bondoso
E amigo dos Portugueses.”

PARA TI, nº211, Fevereiro 1970.

Não é um livro, mas uma revista que marcou gerações.
Apresentando-se em formato de desdobrável, com 95x30cm, a face interior é integralmente dedicada aos detalhes de uma “toalha de renda de Milão”, enquanto a exterior nos ensina a bordar “raminhos” em “toalhas de rosto”, a preparar uma galinha estufada de cabidela, desde o abate da ave até ao amesendamento, sobrando, ainda, espaço para esclarecer a D. Vivilinda Reis, do Porto: “Deve bordar a colcha a côres, sobre organdi e a ponto de sombra”.

Meulen, J. van der- De “GECROONDE ROOS” EN ANDERE PIJPENMAKERSMERKEN VAN GOUDA, Pijpelogische Kring Nederland, Leiden, 1994.

Que dizer de uma obra em holandês – idioma que não domino – e que, praticamente, se limita a enumerar quantos fabricaram cachimbos na cidade de Gouda, entre a segunda metade do século XVII e a primeira do século XIX?
No meu fraco entender – e pode bem ser que esteja enganado – van der Meulen e a Pijpelogische merecem, muito claramente, o estatuto de utilidade pública.

Penedo, Leão; Marques, Gentil- TORTURA DA CARNE, Argo (colecção “Ecran”), Lisboa, 1957.

Procurando, numa enciclopédia de cinema, filmes com títulos começados por “way”, apenas encontro “The Way of the Dragon”, de e com Bruce Lee, “Way Out West”, “o melhor filme de Bucha e Estica”, e “The Way of the Stars”, do afamado Anthony Asquith. E que me levou a esta azáfama? É que “Tortura da Carne” outra coisa não é senão a novelização de um filme, da Paramount, intitulado “The Way of All Flesh”, “o drama de um homem que passou uma vida inteira de honestidade, dedicado sòmente à família e ao trabalho, e que, pela vertigem de algumas horas de orgia, se perdeu a si mesmo”. Memória de um tempo em que o espectador pedia mais história do que o cinema lhe podia dar.
Permito-me, ainda, chamar a atenção para o facto de que a parceria de autores – na melhor tradição de colégios, quartéis e postos de trabalho, em geral – se dá a conhecer com dois sobrenomes por cabeça.

NUDES OF ALL NATIONS, George Routledge & Sons, Ltd., London, 1939.

Muito antes de Heffner criar a Playboy, já os onanistas (grupo em que me incluo) onanizavam. Realidade em boa hora apreendida pela editora dos Routledge, que, aqui, nos presenteia com quarenta e oito estudos fotográficos, cobrindo uma diversidade feminina que vai da inglesa à maori, passando pela kotanga e pela tuamotu. Pena é que várias mulheres reincidam, o que prova uma de duas coisas: ou a dupla-nacionalidade era moda nos idos de 30, ou os Routledge pensavam que os leitores iriam estar demasiado ocupados para reparar nisso.
Do ponto de vista sociológico, a obra vale a documentar um tempo de frouxo feminismo: hoje em dia, quem se atreveria a incluír um livro de mulheres nuas numa colecção até então ocupada por “Grandes e Pequenos Cães”, “Cavalos e Ponnies” e outra bicharada?

“RECETARIO MANDARIN PARA HACER 5 DELICIOSOS POSTRES”, Jesus Navarro, S.A., Alicante, s.d..

Num tempo em que o capitalismo selvagem cultiva o lucro sem mais aquelas, é reconfortante verificar que o fabricante do “Flan Chino Mandarin”, das “Natillas Caseras” e da “Crema Catalana” se preocupa, realmente, com a clientela.
Isto mesmo fica provado por este volume, tão escasso – 16 pp., 7x9,5cm – quanto útil.
Sabia V. Exa. que a única diferença entre o flan de chocolate e o flan de ovo reside na substituição do dito ovo por “2 cucharadas soperas rasas de cacao en polvo”?
Bem: cada um sabe de si... Mas não haverá coisas bem mais interessantes para fazer com duas sopeiras e um polvo?

“PHILISHAVE HP1607”, Philips, Holanda, s.d..

Ingleses, franceses, alemães, holandeses, italianos, espanhóis, portugueses, dinamarqueses, noruegueses, suecos, finlandeses e, até, japoneses encontram neste livrinho toda a informação necessária ao competente manuseamento do seu aparelho predilecto, também conhecido por “pesadelo da Gillette”.
O modelo HP1607 desta máquina de barbear eléctrica tem a particularidade de incorporar um muito inovador “corta-patilhas”, que pode, também, ser usado para aparar o bigode ou “dar um retoque no corte do cabelo”. Uma pérolazinha, bem ao jeito do que a Philishave nos habituou, desde a primeira hora.
Finalmente, um conselho, encontrado a páginas 29: “(...)barbeie-se de preferência antes de se lavar ou algum tempo depois”. Dois meses é a nossa, pessoalíssima, sugestão.

“TEGRETOL”, Ciba-Geigy Portuguesa, Ltd., s.l., s.d..

Fruto maior da chamada “Literatura Inclusa”, este texto de quatro páginas tem a particularidade de ser dedicado em mais de 50% a contra-indicações, efeitos indesejados, advertências, precauções, interacções e por aí fora.
Ou seja: este “agente anti-epiléptico, neurotrópico e psicotrópico” ataca por onde menos se espera. Entre outras consequências, pode acarretar impotência.
Aconselhamo-lo, vivamente, a quem decida render-se aos encantos do opúsculo seguinte (CONSULTE O SEU MÉDICO).

“FRIEDRICHSBAD – THE ROMAN-IRISH BATHS OF BADEN-BADEN”, Carasana, Baden-Baden, s.d..

Deite para trás das costas tudo quanto o arrelia e vá tomar banho a Baden-Baden! Quem o avisa seu amigo é... É que, nas dez fotografias que ilustram esta notável folha publicitária, são visíveis nada menos do que cinco mamas, três cus e um pito.
Por uns módicos 56 marcos alemães, tem-se direito a um banho romano-irlandês, com sabão, “brush massage” e “creme massage”.

“DRINKS E COCKTAILS”, Editora Três, São Paulo, s.d..

Este suplemento, com o qual a revista Cozinha Fácil, em boa hora, decidiu presentear os seus leitores (e eu conto-me entre os indefectíveis!), ensina-nos como preparar um bom “gin tônica”, um “mônica”, um “Copa 78”, um “Cocktail a la Tomate” e, mesmo, como bolar esse treco de “russa dourada”.
Tudo nos trinques. Ou não contasse a obra com os préstimos de nomes consagrados como Lívia De Caroli Tonso, Mirna Caballero Plá ou Reynaldo Zoéga Filho.

Marshall-Taylor, Geoffrey- BÍBLIA JUVENIL ILUSTRADA”, Círculo de Leitores, Lisboa, 1981.


Depois de se ter empanturrado com guloseimas, ter aparado as patilhas, perdido a potência, nadado entre ninfas e bebido um “a la tomate”, aconselho-lhe que repouse a mente nas palavras divinas. Afinal de contas, a vida não pode ser só palhaçada.
Esta edição, ao deitar às urtigas as partes superficiais e aborrecidas do velho “best-seller” israelita, revela-se, apesar de algumas arestas que ficaram por limar, a mais legível das muitas que já me passaram pelas mãos.
Como muito bem sublinha o autor, “a Bíblia é um livro importante – os cristãos dirão que é o livro mais importante que uma pessoa pode ler. Eles pensam isto porque respeita a Deus, e também porque trata do sentido da direcção e de realização que Deus pode dar à vida das pessoas”.
Ora, como malbaratar a leitura de uma obra que “trata do sentido da direcção”?

Horn, Dr. M.- “A MEDICINA E A VIDA HOSPITALAR NA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA”, António Abreu, Porto, 1972.


As trinta páginas (9x17,5cm) deste livro correspondem ao sexto capítulo dessa obra maior que é “Away With All Pests: an English Surgeon in People’s China 1954-1969”, sem dúvida o texto fundamental do dr. Horn (“corno”, em português).
Conquanto o original haja sido escrito em língua inglesa, esta tradução foi feita a partir do francês, da edição belga, suponho que para não perder pitada.
Relevo para o item “As relações entre os membros do pessoal hospitalar”, que não se refere a nada disso em que estais pensando, mas sim aos métodos mais eficazes no combate à vaidade que pode acontecer, e acontece, acometer assim médicos como enfermeiros.

Miranda, Sacuntala de- “O CICLO DA LARANJA E OS “GENTLEMAN FARMERS” DA ILHA DE S. MIGUEL 1780-1880”, Instituto Cultural de Ponta Delgada, Ponta Delgada, 1989.

Monografia, é certo, mas de interesse planetário; e logo desde o primeiro capítulo: “A laranja de S. Miguel e a Revolução Industrial Britânica”.
Depois... Depois, é um nunca acabar de informações cujo conhecimento se pode revelar bem útil, a qualquer momento, ao dobrar de qualquer esquina da vida.
Senão, vejamos: sabia que, no ano de 1820, Diogo Lesbie (?!) exportou 146 caixas de laranja e nenhuma de limão?; estava, sequer, consciente de que, em 1863, as obras do porto artificial de Ponta Delgada eram o ganha-pão de 60 brocadores e 29 malhantes?
Se respondeu afirmativamente a ambas as questões, pode passar, sem delongas, ao livro seguinte. Se não, devore este gostoso Sacuntala.

Bossi, E.- CHRISTO NUNCA EXISTIU, Empreza do Almanach Encyclopedico Illustrado, Lisboa, 1909.


Será que sem o Almanach Encyclopedico Illustrado a República teria tido forças para se desentranhar ao útero desgastado da Monarquia Constitucional? Uma questão por demais pertinente, à qual os historiadores portugueses ainda não souberam (ou quiseram...) dar resposta.
É que, para além deste volume, o A.E.I. trouxe à populaça ignara temas tão prementes como “O Futuro da Raça Branca” ou “Os Habitantes dos Outros Mundos”.
Mas concentremo-nos na obra de Bossi: é impressionante como, após ter dedicado onze páginas a provar que “Jesus Christo não é pessoa histórica”, o vate teve ainda um fôlego, de mais nove, para demonstrar que “Jesus Christo é pessoa absolutamente sobrenatural”. E, o que é mais, num e noutro casos, fê-lo sem deixar margem para dúvidas.
Interessante é, também, o capítulo intitulado “Christo é um mytho solar”.

Gomes, Augusto Bugalho- HISTÓRIA COMPLETA DA PROSTITUIÇÃO, “O Auctor”, Lisboa, 1913.

Cortesãs gregas e romanas, libertinagens no Egipto, obscenidades nos templos, profanação de cadaveres, a prostituição nas regiões polares – eis um escasso punhado dos muitíssimos temas abordados na imorredoira obra de Bugalho Gomes.
Não se julgue, porém, que nos encontramos em presença de uma incitação erudita à perversão barrasca. De modo algum!
Leia-se as doutas palavras finais d’”O Auctor”:
“Terá a prostituição um dia fim? Sim, ha-de tel-o.
Quando?
No dia em que as depravações d’esta sociedade moribunda contribuirem para a sua própria queda! Quando? perguntaram (sic) ainda.
Não o sabemos. Poderá demorar seculos, o que não crêmos, e poderá ser, quem sabe...talvez amanhã...”.
É certo que não foi. Mas... talvez amanhã...

Boutron, Martine- “AS NATAS NA COZINHA FRANCESA”, Jean-Pierre Taillandier, Suresne, 1992.

Não é todos os dias que uma editora francesa publica um livro na língua de “Os Lusíadas”. E as hossanas são, ainda, maiores quando se trata de um compêndio de magna grandeza, como é o caso vertente. “A nata das natas...”, como muito bem observa o prefácio.
Quanto ao corpo da obra, propriamente dito, oferece-nos, de bandeja, os segredos necessários à preparação de vitualhas tão variadas como os “brioches de caranguejos” (uma especialidade, diz quem já experimentou), os “envelopes de lombo de porco” (que sujam a correspondência toda), as “linguíças na brasa” ou as “cenouras com natas e cerefólio”.
Enfim, como dizia o outro, “mens sana in corpore sano”.

“SELECÇÕES DA GAZETA. II VOLUME”, Gazeta do Sul, Montijo, 1961.

Para começar, há que dizer que não possuímos o I volume (haverá, por aí, alma caridosa que no-la faça chegar?).
Quanto a este II volume, corresponde ao período de 1930 a 1955. São trezentas e tantas páginas, ricamente ilustradas com desenhos e fotografias (olaré!), preenchidas por crónicas, contos e “poesias”. Para além de anedotas, naturalmente.
Ora, é, precisamente, nesta última categoria que a colectânea deveras surpreende, assim em subtileza como em alcance, supremos predicados da inteligência humorística.
Pasme-se:
“Num combóio.
O amigo:- Ainda te casaste há três dias, e viajas sòzinho em compartimento reservado? Onde está a tua mulher?
- Ali, na carruagem dos fumadores”.
Ou, ainda:
“A filha volta da escola, cheia de pretensão e muito vaidosa:
- Minha mãe, eu queria seguir os cursos de Filosofia, Psicologia e Arqueologia...
- Está bem. Mas antes quero eu que sigas o curso de “remendologia”, “cozinhologia”, “varreologia” e “trabalogia”. E a primeira lição dou-ta já. Põe o avental, pega na vassoura e vai varrer a sala”.
É de rir e chorar por mais. Uma barrigada de mão cheia!

“SELECÇÕES DA GAZETA.III VOLUME”, Gazeta do Sul, Montijo, s.d.

A saga continua:
“- Tome cuidado, ceguinho, para aquele garoto não lhe roubar o dinheiro.
- Não se incomode, pois estou com os olhos em cima dele”.

“SKALK”, nr.4, 1992.


Publicada em Hojbjerg, Dinamarca, esta revista cedo se tornou elemento de consulta obrigatória do homem e da mulher modernos. Esta quarta edição não esconde os porquês de tamanho sucesso: “Ikke Blot En Spade” ou “Kristendommen og Det Dan – Ske Sprog” são, apenas, alguns dos artigos que nela se oferecem ao leitor.
Quem não domine a língua mater de Andersen poderá entreter-se olhando para ilustrações tão surpreendentes quanto a fotografia de seis pregos atacados pela ferrugem, uma gravura representando um ovo a estrelar numa pá de jardineiro ou um desenho de metade de um crânio com um barrete amarelo.
Um em cada 50.000 dinamarqueses lê – deglute, diria – a excelsa Skalk.
Parabéns aos editores.

Coelho, Possidónio Mateus Laranjo- “TERRAS DE ODIANA: MEDOBRIGA, AMMAIA, ARAMENHA, MARVÃO”, Câmaras Municipais de Castelo de Vide e Marvão, Lisboa, 1988.

Bacharel por Coimbra, Conservador do Tombo, Professor de Letras, Sócio do Instituto, da Academia, da Associação e da Sociedade, Possidónio Laranjo Coelho legou-nos este alfarrábio, em boa hora revisitado pelo colectivo de dois municípios que, para o efeito, subiram à capital.
Um corpus de saber coligido à custa de queimar muita pestana e palmilhar muito campo pátrio.
Contra as ignorâncias atrevidas, o velho sábio foi “para fora, cá dentro” e pôs tudo em pratos limpos. Honra lhe seja.

“DO VASILHAME VINÁRIO”, Museu do Povo da Beira, Viseu, 1967.


Nas palavras que abrem este catálogo de exposição, Russell Cortez adverte, para que não haja surpresas: “Temos conhecimento do aparecimento de restos fósseis da vide em Portugal. Nos lignitos do Pliocénico Superior de Marrazes, arredores de Leiria, foram encontradas numerosas graínhas de uvas. Estas graínhas da vitilis silvestris que têm 5mm de alto por 3,5 a 4mm de largura máxima, são presentemente os mais remotos documentos paleontológicos que nos provam vicejar esta planta termófila na área ora ocupada por Portugal”.
E eis que penetramos num mundo injustamente ignoto, onde a garrafa sextavada, o decantador de meio cristal, o par de garrafas representando um oboé, o galheteiro de vidro opalino, a corna para vinho, o pipo tipo borracha ou o mascoto de ferro deixam o olvido a que se encontravam votados e, de novo, assentam praça nas nossas almas sequiosas das cousas boas que as termófilas sabem trazer consigo.

Afonso, Mário Simões Pereira Garcia- “MÉTODO DE CAVAQUINHO (VULGO – SEBENTA)”, Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra, Coimbra, 1981.

Logo na introdução, Mário Afonso (se me é permitida a economia) antecipa uma “época de ouro” para este tão peculiar cordofone.
E como não?, posto que, entre os considerandos do autor e o repertório proposto, logo nos vemos assolados por um frémito cavaquistico:
Para começar, constituem auxiliares da mão direita as unhas, coisa com que todos contamos, em número de cinco, excepção feita à grada figura de Shéu Han, que, a crer na lenda, possui seis destes auxiliares.
Posto isto, toca a tocar: o “Merca Melões de Coimbra”, o “Ó Barreirinha (Vareira Picada)”, o “Olha os Bons Pêros Assados!” ou o “Prière d’Enfant”, entre muitos e memoráveis temas da predilecção afonsina.
No final, um questionário testa-nos quanto à apreensão das matérias explanadas: “Quais os auxiliares naturais da técnica de mão direita?” (cá está, a eterna questão), “Em que posições da mão esquerda encontrou mais dificuldades?”(e quem as não sente, na tão propagandeada “canhota”?), etc, etc, etc..

Simões, Cunha- “DROGA: PAIS, PROFESSORES E GOVERNOS SÃO OS CULPADOS: CURA E RECUPERAÇÃO ATRAVÉS DAS PLANTAS MEDICINAIS”, Prima - Publicidade, Recriação e Informação, Ltd., Alcanena, 1996.


Cunha Simões – autor de outros livros, como “Os Mistérios do Padre Miguel”, “Crónicas da Província e Intervenções Parlamentares” ou “Sexo e Magia Desencadearam a II Guerra Mundial” – não é um homem comum, conforme o prova este livro, de que é, simultâneamente, autor e herói.
Trata-se da narrativa de como, recorrendo ao melhor da ervanária, reabilita dois toxicodependentes, resistindo às sucessivas tentativas de suborno sexual de que é alvo por parte destas vítimas de tão aziago destino.
Capítulos como “A Diarreia”, “Terapia Cromática” ou “O Drogado é uma Bomba ao Retardador” são um misto perfeito de arte romanesca e espírito científico – e mui louvável serviço prestam à sociedade, mormente aos menos informados!
Mas o melhor, deixa-no-lo Cunha Simões para o fim: a listagem das ervas, a todos acessíveis, com que cortar pela raiz esta chaga social.
Se os políticos e os médicos perdessem a vaidade (valha-nos Dr. Horn!), outro galo cantaria.
Bertrand Russell (1872-1970), filósofo, pedagogo, activista, caricaturado por Franciszka Themerson (1907-1988).

Livro de referência: "Todos los seres humanos nacen libres e iguales", de Vicente Ferrer Azcoiti (ed.); Mislata, Valência, 2009.

domingo, 29 de Novembro de 2009

Henri Poincaré (1854-1912), filósofo, matemático, físico.

Más de una vez "los creadores" (científicos, artistas) se han dado cuenta de esta unidad, identidad entre Arte y Ciencia, cuando esta última se acerca de la pureza de los grandes principios universales. Entre Belleza y Verdad. Einstein calificó la teoría atómica de Niels Bohr (1913) de obra de "gran musicalidad". En la línea de una tradición que pasa por Pitágoras y por Leonardo, Henri Poincaré dice que lo que le guiaba hacia sus descubrimientos era "el sentimento de la belleza matemática, la armonía de los números y de las formas, la elegancia geométrica". Después, Dirac llegó a un extremo: "Es más importante para las ecuaciones, dijo, poseer belleza que responder a los experimentos". Un científico afirmaba de este modo la primacía de lo Bello como un absoluto, como una seguridad frente al valor relativo, frágil, temporal de las verificaciones experimentales.


Livro de referência:
"Segundo Manifiesto del Arte Principial", de Pic G. Adrian; s.e., s.l., 1980.
Auto-retrato de Piet Mondrian (1872-1944), datado de 1901.

Livro de referência: "Mondrian", de Susanne Deicher; Taschen, Colónia, 1995.

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

O CLIP E A 2ª GUERRA MUNDIAL

Between the extremes of collaboration and resistance, the majority of Norwegians mantained a sullen, insolent loathing for the German occupiers. As a mark of opposition, many wore paper clips in their lapels. The paper clip was a Norwegian invention; the little twist of metal became a symbol of unity, a social binding together against oppression.

Livro de referência:"Agent Zigzag: A True Story of Nazi Espionage, Love, and Betrayal", de Ben Macintyre; Three Rivers Press, Nova Iorque, 2007.

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

William Etty (1787-1849).

Holman Hunt (1827-1910).

Richard Redgrave (1804-1888).

Livro de referência: "Victorian Values", de James Walvin; Cardinal, Londres, 1988.
The Ink Spots.

(...) the Ink Spots were the grand-daddies of all black vocal groups, rivaled only by the Mills Brothers.

Livro de referência: "The Illustrated Encyclopedia of Black Music", de Jon Futrell et alii; Salamander, Londres, 1982.
Paul Gavarni (1804-1866).

Carle Vernet (1758-1836).

Livro de referência:"Cuando fumar es un arte", de Pierre Sabbagh; Creativos Editoriales, s.l., 1985.
Jodie Foster canta "My Name is Tallulah", em "Bugsy Malone" (1976), de Alan Parker. Tinha 14 anos e uma já longa carreira na televisão e no cinema. No mesmo ano, participou em "Taxi Driver", de Martin Scorsese.

Livro de referência:"Bugsy Malone", de Alan Parker; Collins Drama, Nova Iorque, 1984.

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Our life here is exactly like yours. We live and dress à la European, even to the decoration of the rooms, so you can sometimes picture me not as a friend of faraway China, soaked in oriental atmosphere, but as one of your American friends in the busy city.

Soong Ching-Ling (na foto, 1893-1981), a Senhora Sun Yat-sen, mais tarde Presidente Honorária da República Popular da China, em carta da juventude a uma amiga norte-americana.

Livro de referência: "Mme Sun Yat-sen", de Jung Chang e Jon Halliday; Penguin, Harmondsworth, 1986.
Ou bem que muito teme sua sorte
Ou apoucado é seu pundonor
Se não ousa lutar até à morte
P'ra ganhar ou perder o seu amor.

Bernard Shaw (na foto, 1856-1950).

Livro de referência:
"A Profissão da Sra. Warren", de Bernard Shaw; Campo das Letras, Porto, 2003 (tradução de Guilherme Mendonça, adaptação da quadra de Miguel Martins).
Anton Tchekov (na foto, 1860-1904) sobre Nikolai Przevalski (1839-1888), explorador da Ásia Central

A sua personalidade constitui um documento vivo capaz de mostrar à nossa gente que além das pessoas que passam o tempo a discutir pessimismo e optimismo, a escrever romances medíocres, dissertações baratas e projectos desnecessários, que levam uma vida imoral negando que existam objectivos sérios na vida por que valha a pena sacrificarem-se e que mentem para se governar, que além dos nossos cépticos, místicos, neuróticos, filósofos, liberais e conservadores, há gente de outra espécie, pessoas com um propósito definido na vida, ao qual estão prontas a sacrificar-se. Se os caracteres positivos criados pela literatura são material de um valor educativo incalculável, os caracteres criados pela própria vida, esses, não há dinheiro que os pague. Homens como Przevalski são particularmente significativos mercê do significado das suas vidas e realizações, cujo sentido moral é acessível à mente de todos, inclusivamente das próprias crianças. Sempre assim foi: quanto mais perto um homem está da verdade, tanto mais inteligente e simples é.

Livro de referência: "Tchekov", de David Magarshak; Editorial Aster, Lisboa, 1960 (tradução de João Gaspar Simões).

Thomas Rowlandson (1756-1827).

Livro de referência: "Cunni Nomina", s.a.; ...de la luna, s.l., 2001.
Vós que hoje lembraes os antigos escravos
Dos vossos avós - p'ra vergonha dos mortos!...

E emquanto viveis cavados de torturas,
Sonhando, eu bem sei, com minas de dinheiro,
Anda a Morte a abrir as vossas sepulturas,
A tragica Morte, esse eterno coveiro.


Mariano Gracias (1871-1931).

Revista de referência: "História", nº160, Janeiro de 1993.
Yukio Mishima (1925-1970), à direita na foto, com o seu mestre Yasunari Kawabata (1899-1972), que, também ele, se suicidaria.

Atraído pelas obras de Oscar Wilde, adoptou o pseudónimo Yukio Mishima.

ANTÓNIO PESCADA

Revista de referência:"Textos d'Almada", nº3, 1997.
Jean-Louis Ernest Meissonier (1815-1891).

Esquecido após a sua morte, desprezado pelos impressionistas, ridicularizado por Degas, será redescoberto por Salvador Dalí.


Livro de referência: "Impressionismo", de Ingo F. Walther (dir.); Taschen, Colónia, 2006 (tradução de Alice Milheiro et alii).

(Clicar para aumentar).
Katsushika Hokusai (1760-1849).

Livro de referência:
"O vinho e as rosas", de Jorge Sousa Braga (ant.); Assírio & Alvim, Lisboa, 1995.

(Clicar para aumentar).
OITO PINTORAS IMPRESSIONISTAS

Laura Knight (1877-1970).

Hanna Pauli (1864-1940).

Mary Stevenson Cassatt (1844-1926).

Marie Bracquemond (1880-1945).

Eva Gonzalès(1849–1883).

Anna Ancher (1859-1935).

Berthe Morisot (1841—1895).

Lilla Cabot Perry (1848—1933).

Livro de referência: "Impressionismo", de Ingo F. Walther (dir.); Taschen, Colónia, 2006.

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Paul Robeson (1898-1976).

Livro de referência: "Extensions of the Blues", de Mary Ellison; John Calder, Londres, 1989.
Portugueses de Hong Kong

Os residentes portugueses destacaram-se entre os pioneiros de Kowloon. Foram eles que aguentaram o surto de malária nos primeiros tempos da colonização britânica quando eram praticamente desconhecidos os meios para atacar aquela doença que provocava grande número de mortos. Apesar destas desvantagens, membros da comunidade portuguesa provaram que Kowloon era local adequado para uma zona residencial suburbana. Actualmente, grande parte da população não-chinesa da península é constituída por estes portugueses cujos antepassados ajudaram a desenvolver a zona.

J.P.BRAGA, 1930.

Livro de referência: "Pioneiros Portugueses de Hong Kong", de J.P.Braga; Instituto Cultural de Macau, s.l., 1987.
Joseph Conrad (1857-1924).

Conrad is probably unique among novelists even expatriate novelists, in that he never wrote a story about his own country or his own people. No scene is set in Poland or the Ukraine, no Pole appears as even a minor character in any of his stories, not even in the Russia of "Under Western Eyes", where a Polish presence would have been natural enough (...).

ROGER TENNANT

Livro de referência: "The Secret Agent", de Joseph Conrad; Oxford University Press, Oxford, 1988.
RUGENDAS E O PITORESCO

Johann Moritz Rugendas (1802-1858).

A palavra "pitoresco" é de origem italiana, mas inspirou na Inglaterra, entre 1730 e 1830, toda uma gama de estudos e tratados estéticos nos quais se indicava a melhor forma de pintar a natureza. Em contraposição a uma imagem hostil, a representação pitoresca favoreceria um enquadramento apaziguador dos elementos naturais, uma visão paisagística coetânea do sublime e do belo, que convidava à contemplação. Rugendas, viajante alemão que esteve no Brasil em 1821 junto à expedição científica do Barão de Langsdorff, também se aproveitaria do conceito ao intitular o seu livro, publicado em 1835, de "Viagem pitoresca através do Brasil".

GUILHERME SARMIENTO DA SILVA

Revista de referência: "Gândara", nº2, 2007.