Wachsmann, Dr. Fred- MILAGRE E FÉ NA CURA (ESTUDO CLÍNICO DO MISTERIOSO PODER DOS CURADORES), ed. autor, Lisboa, 1953. Um médico, alemão(?), residente em Portugal e autor de outras obras – como sejam “Os Padres Faria, peça histórica e patriótica (“A Conjuração de Gôa” e o primeiro hipnotizador do mundo, um português)” ou “Como eu vi a Serra da Estrela, ricamente ilustrada e com um mapa aerofotográfico” -, aborda neste livro temas tão candentes como “O Rasputin Feminino” ou “O Mestre Divino que tratava os doentes com requeijão”.
LIVRO DOS FINALISTAS DE TEOLOGIA, Seminário de Coimbra, 1956. Caricaturas e quadras dos padres Adelino Marques, Alfredo Dionísio, António Francisco, Aurélio de Campos, Carlos Cosme, Joaquim Claro, José de Brito, José Marques e Manuel Pedrosa.
Uma fotografia de conjunto remata o ramalhete.
Delgado, Santos- AS ORIGENS DOS MICRÓBIOS, Tipografia Vieira, Lisboa, 1934. Inserido na “Colecção Santos Delgado”, “preparador tècnico de vinhos finos” e autor do enigmático título “Portugal através da descripção”, este livro faz figurar na capa uma frase do mesmo que indicia claramente os propósitos do seu contéudo: “Os micróbios são mortíferos: destruí-los é a missão do homem!”.
Agostinho, Artur- ATÉ NA PRISÃO FUI ROUBADO!, Área- Sociedade de Comunicação Visual (em constituição), s.l., 1976. Muito antes de os jornalistas das televisões terem descoberto os seus talentos literários, já o bom velho relator desportivo e galã de sopeiras cinéfilas, o inolvidável Artur Agostinho, lançara mãos à obra para, com minúcia, descrever as desditas que a “Revolução dos Cravos” lhe impôs.
Capítulos como “Copacabana em...Caxias” ou “...mas os “golpes” são como as melancias”, que, por acaso, até rimam e têm ambos reticências, são obrigatórios para a compreensão do P.R.E.C..
Zart, Zitá- MIRAGEM (POESIA), ed. da autora, Lisboa, 1973. Um livro que vale uma Literatura. A capa apresenta Zitá (não Zita) Zart levantando uma saia vistosa, de modo a deixar adivinhar provocante cueca, e uma breve nota biográfica descreve-a como “bomba atómica da beleza” e “o amor perfeito na arte de dizer”. Em contraste (ou talvez não), no interior, figura uma carta facsimilada do Prof. Salazar, a par da seguite quadra:
“Obrigado, Salazar
Obrigado mil vezes
Por seres tão bondoso
E amigo dos Portugueses.”
PARA TI, nº211, Fevereiro 1970. Não é um livro, mas uma revista que marcou gerações.
Apresentando-se em formato de desdobrável, com 95x30cm, a face interior é integralmente dedicada aos detalhes de uma “toalha de renda de Milão”, enquanto a exterior nos ensina a bordar “raminhos” em “toalhas de rosto”, a preparar uma galinha estufada de cabidela, desde o abate da ave até ao amesendamento, sobrando, ainda, espaço para esclarecer a D. Vivilinda Reis, do Porto: “Deve bordar a colcha a côres, sobre organdi e a ponto de sombra”.
Meulen, J. van der- De “GECROONDE ROOS” EN ANDERE PIJPENMAKERSMERKEN VAN GOUDA, Pijpelogische Kring Nederland, Leiden, 1994. Que dizer de uma obra em holandês – idioma que não domino – e que, praticamente, se limita a enumerar quantos fabricaram cachimbos na cidade de Gouda, entre a segunda metade do século XVII e a primeira do século XIX?
No meu fraco entender – e pode bem ser que esteja enganado – van der Meulen e a Pijpelogische merecem, muito claramente, o estatuto de utilidade pública.
Penedo, Leão; Marques, Gentil- TORTURA DA CARNE, Argo (colecção “Ecran”), Lisboa, 1957. Procurando, numa enciclopédia de cinema, filmes com títulos começados por “way”, apenas encontro “The Way of the Dragon”, de e com Bruce Lee, “Way Out West”, “o melhor filme de Bucha e Estica”, e “The Way of the Stars”, do afamado Anthony Asquith. E que me levou a esta azáfama? É que “Tortura da Carne” outra coisa não é senão a novelização de um filme, da Paramount, intitulado “The Way of All Flesh”, “o drama de um homem que passou uma vida inteira de honestidade, dedicado sòmente à família e ao trabalho, e que, pela vertigem de algumas horas de orgia, se perdeu a si mesmo”. Memória de um tempo em que o espectador pedia mais história do que o cinema lhe podia dar.
Permito-me, ainda, chamar a atenção para o facto de que a parceria de autores – na melhor tradição de colégios, quartéis e postos de trabalho, em geral – se dá a conhecer com dois sobrenomes por cabeça.
NUDES OF ALL NATIONS, George Routledge & Sons, Ltd., London, 1939. Muito antes de Heffner criar a Playboy, já os onanistas (grupo em que me incluo) onanizavam. Realidade em boa hora apreendida pela editora dos Routledge, que, aqui, nos presenteia com quarenta e oito estudos fotográficos, cobrindo uma diversidade feminina que vai da inglesa à maori, passando pela kotanga e pela tuamotu. Pena é que várias mulheres reincidam, o que prova uma de duas coisas: ou a dupla-nacionalidade era moda nos idos de 30, ou os Routledge pensavam que os leitores iriam estar demasiado ocupados para reparar nisso.
Do ponto de vista sociológico, a obra vale a documentar um tempo de frouxo feminismo: hoje em dia, quem se atreveria a incluír um livro de mulheres nuas numa colecção até então ocupada por “Grandes e Pequenos Cães”, “Cavalos e Ponnies” e outra bicharada?
“RECETARIO MANDARIN PARA HACER 5 DELICIOSOS POSTRES”, Jesus Navarro, S.A., Alicante, s.d.. Num tempo em que o capitalismo selvagem cultiva o lucro sem mais aquelas, é reconfortante verificar que o fabricante do “Flan Chino Mandarin”, das “Natillas Caseras” e da “Crema Catalana” se preocupa, realmente, com a clientela.
Isto mesmo fica provado por este volume, tão escasso – 16 pp., 7x9,5cm – quanto útil.
Sabia V. Exa. que a única diferença entre o flan de chocolate e o flan de ovo reside na substituição do dito ovo por “2 cucharadas soperas rasas de cacao en polvo”?
Bem: cada um sabe de si... Mas não haverá coisas bem mais interessantes para fazer com duas sopeiras e um polvo?
“PHILISHAVE HP1607”, Philips, Holanda, s.d.. Ingleses, franceses, alemães, holandeses, italianos, espanhóis, portugueses, dinamarqueses, noruegueses, suecos, finlandeses e, até, japoneses encontram neste livrinho toda a informação necessária ao competente manuseamento do seu aparelho predilecto, também conhecido por “pesadelo da Gillette”.
O modelo HP1607 desta máquina de barbear eléctrica tem a particularidade de incorporar um muito inovador “corta-patilhas”, que pode, também, ser usado para aparar o bigode ou “dar um retoque no corte do cabelo”. Uma pérolazinha, bem ao jeito do que a Philishave nos habituou, desde a primeira hora.
Finalmente, um conselho, encontrado a páginas 29: “(...)barbeie-se de preferência antes de se lavar ou algum tempo depois”. Dois meses é a nossa, pessoalíssima, sugestão.
“TEGRETOL”, Ciba-Geigy Portuguesa, Ltd., s.l., s.d.. Fruto maior da chamada “Literatura Inclusa”, este texto de quatro páginas tem a particularidade de ser dedicado em mais de 50% a contra-indicações, efeitos indesejados, advertências, precauções, interacções e por aí fora.
Ou seja: este “agente anti-epiléptico, neurotrópico e psicotrópico” ataca por onde menos se espera. Entre outras consequências, pode acarretar impotência.
Aconselhamo-lo, vivamente, a quem decida render-se aos encantos do opúsculo seguinte (CONSULTE O SEU MÉDICO).
“FRIEDRICHSBAD – THE ROMAN-IRISH BATHS OF BADEN-BADEN”, Carasana, Baden-Baden, s.d.. Deite para trás das costas tudo quanto o arrelia e vá tomar banho a Baden-Baden! Quem o avisa seu amigo é... É que, nas dez fotografias que ilustram esta notável folha publicitária, são visíveis nada menos do que cinco mamas, três cus e um pito.
Por uns módicos 56 marcos alemães, tem-se direito a um banho romano-irlandês, com sabão, “brush massage” e “creme massage”.
“DRINKS E COCKTAILS”, Editora Três, São Paulo, s.d.. Este suplemento, com o qual a revista Cozinha Fácil, em boa hora, decidiu presentear os seus leitores (e eu conto-me entre os indefectíveis!), ensina-nos como preparar um bom “gin tônica”, um “mônica”, um “Copa 78”, um “Cocktail a la Tomate” e, mesmo, como bolar esse treco de “russa dourada”.
Tudo nos trinques. Ou não contasse a obra com os préstimos de nomes consagrados como Lívia De Caroli Tonso, Mirna Caballero Plá ou Reynaldo Zoéga Filho.
Marshall-Taylor, Geoffrey- BÍBLIA JUVENIL ILUSTRADA”, Círculo de Leitores, Lisboa, 1981. Depois de se ter empanturrado com guloseimas, ter aparado as patilhas, perdido a potência, nadado entre ninfas e bebido um “a la tomate”, aconselho-lhe que repouse a mente nas palavras divinas. Afinal de contas, a vida não pode ser só palhaçada.
Esta edição, ao deitar às urtigas as partes superficiais e aborrecidas do velho “best-seller” israelita, revela-se, apesar de algumas arestas que ficaram por limar, a mais legível das muitas que já me passaram pelas mãos.
Como muito bem sublinha o autor, “a Bíblia é um livro importante – os cristãos dirão que é o livro mais importante que uma pessoa pode ler. Eles pensam isto porque respeita a Deus, e também porque trata do sentido da direcção e de realização que Deus pode dar à vida das pessoas”.
Ora, como malbaratar a leitura de uma obra que “trata do sentido da direcção”?
Horn, Dr. M.- “A MEDICINA E A VIDA HOSPITALAR NA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA”, António Abreu, Porto, 1972. As trinta páginas (9x17,5cm) deste livro correspondem ao sexto capítulo dessa obra maior que é “Away With All Pests: an English Surgeon in People’s China 1954-1969”, sem dúvida o texto fundamental do dr. Horn (“corno”, em português).
Conquanto o original haja sido escrito em língua inglesa, esta tradução foi feita a partir do francês, da edição belga, suponho que para não perder pitada.
Relevo para o item “As relações entre os membros do pessoal hospitalar”, que não se refere a nada disso em que estais pensando, mas sim aos métodos mais eficazes no combate à vaidade que pode acontecer, e acontece, acometer assim médicos como enfermeiros.
Miranda, Sacuntala de- “O CICLO DA LARANJA E OS “GENTLEMAN FARMERS” DA ILHA DE S. MIGUEL 1780-1880”, Instituto Cultural de Ponta Delgada, Ponta Delgada, 1989. Monografia, é certo, mas de interesse planetário; e logo desde o primeiro capítulo: “A laranja de S. Miguel e a Revolução Industrial Britânica”.
Depois... Depois, é um nunca acabar de informações cujo conhecimento se pode revelar bem útil, a qualquer momento, ao dobrar de qualquer esquina da vida.
Senão, vejamos: sabia que, no ano de 1820, Diogo Lesbie (?!) exportou 146 caixas de laranja e nenhuma de limão?; estava, sequer, consciente de que, em 1863, as obras do porto artificial de Ponta Delgada eram o ganha-pão de 60 brocadores e 29 malhantes?
Se respondeu afirmativamente a ambas as questões, pode passar, sem delongas, ao livro seguinte. Se não, devore este gostoso Sacuntala.
Bossi, E.- CHRISTO NUNCA EXISTIU, Empreza do Almanach Encyclopedico Illustrado, Lisboa, 1909. Será que sem o Almanach Encyclopedico Illustrado a República teria tido forças para se desentranhar ao útero desgastado da Monarquia Constitucional? Uma questão por demais pertinente, à qual os historiadores portugueses ainda não souberam (ou quiseram...) dar resposta.
É que, para além deste volume, o A.E.I. trouxe à populaça ignara temas tão prementes como “O Futuro da Raça Branca” ou “Os Habitantes dos Outros Mundos”.
Mas concentremo-nos na obra de Bossi: é impressionante como, após ter dedicado onze páginas a provar que “Jesus Christo não é pessoa histórica”, o vate teve ainda um fôlego, de mais nove, para demonstrar que “Jesus Christo é pessoa absolutamente sobrenatural”. E, o que é mais, num e noutro casos, fê-lo sem deixar margem para dúvidas.
Interessante é, também, o capítulo intitulado “Christo é um mytho solar”.
Gomes, Augusto Bugalho- HISTÓRIA COMPLETA DA PROSTITUIÇÃO, “O Auctor”, Lisboa, 1913. Cortesãs gregas e romanas, libertinagens no Egipto, obscenidades nos templos, profanação de cadaveres, a prostituição nas regiões polares – eis um escasso punhado dos muitíssimos temas abordados na imorredoira obra de Bugalho Gomes.
Não se julgue, porém, que nos encontramos em presença de uma incitação erudita à perversão barrasca. De modo algum!
Leia-se as doutas palavras finais d’”O Auctor”:
“Terá a prostituição um dia fim? Sim, ha-de tel-o.
Quando?
No dia em que as depravações d’esta sociedade moribunda contribuirem para a sua própria queda! Quando? perguntaram (sic) ainda.
Não o sabemos. Poderá demorar seculos, o que não crêmos, e poderá ser, quem sabe...talvez amanhã...”.
É certo que não foi. Mas... talvez amanhã...
Boutron, Martine- “AS NATAS NA COZINHA FRANCESA”, Jean-Pierre Taillandier, Suresne, 1992. Não é todos os dias que uma editora francesa publica um livro na língua de “Os Lusíadas”. E as hossanas são, ainda, maiores quando se trata de um compêndio de magna grandeza, como é o caso vertente. “A nata das natas...”, como muito bem observa o prefácio.
Quanto ao corpo da obra, propriamente dito, oferece-nos, de bandeja, os segredos necessários à preparação de vitualhas tão variadas como os “brioches de caranguejos” (uma especialidade, diz quem já experimentou), os “envelopes de lombo de porco” (que sujam a correspondência toda), as “linguíças na brasa” ou as “cenouras com natas e cerefólio”.
Enfim, como dizia o outro, “mens sana in corpore sano”.
“SELECÇÕES DA GAZETA. II VOLUME”, Gazeta do Sul, Montijo, 1961. Para começar, há que dizer que não possuímos o I volume (haverá, por aí, alma caridosa que no-la faça chegar?).
Quanto a este II volume, corresponde ao período de 1930 a 1955. São trezentas e tantas páginas, ricamente ilustradas com desenhos e fotografias (olaré!), preenchidas por crónicas, contos e “poesias”. Para além de anedotas, naturalmente.
Ora, é, precisamente, nesta última categoria que a colectânea deveras surpreende, assim em subtileza como em alcance, supremos predicados da inteligência humorística.
Pasme-se:
“Num combóio.
O amigo:- Ainda te casaste há três dias, e viajas sòzinho em compartimento reservado? Onde está a tua mulher?
- Ali, na carruagem dos fumadores”.
Ou, ainda:
“A filha volta da escola, cheia de pretensão e muito vaidosa:
- Minha mãe, eu queria seguir os cursos de Filosofia, Psicologia e Arqueologia...
- Está bem. Mas antes quero eu que sigas o curso de “remendologia”, “cozinhologia”, “varreologia” e “trabalogia”. E a primeira lição dou-ta já. Põe o avental, pega na vassoura e vai varrer a sala”.
É de rir e chorar por mais. Uma barrigada de mão cheia!
“SELECÇÕES DA GAZETA.III VOLUME”, Gazeta do Sul, Montijo, s.d. A saga continua:
“- Tome cuidado, ceguinho, para aquele garoto não lhe roubar o dinheiro.
- Não se incomode, pois estou com os olhos em cima dele”.
“SKALK”, nr.4, 1992. Publicada em Hojbjerg, Dinamarca, esta revista cedo se tornou elemento de consulta obrigatória do homem e da mulher modernos. Esta quarta edição não esconde os porquês de tamanho sucesso: “Ikke Blot En Spade” ou “Kristendommen og Det Dan – Ske Sprog” são, apenas, alguns dos artigos que nela se oferecem ao leitor.
Quem não domine a língua mater de Andersen poderá entreter-se olhando para ilustrações tão surpreendentes quanto a fotografia de seis pregos atacados pela ferrugem, uma gravura representando um ovo a estrelar numa pá de jardineiro ou um desenho de metade de um crânio com um barrete amarelo.
Um em cada 50.000 dinamarqueses lê – deglute, diria – a excelsa Skalk.
Parabéns aos editores.
Coelho, Possidónio Mateus Laranjo- “TERRAS DE ODIANA: MEDOBRIGA, AMMAIA, ARAMENHA, MARVÃO”, Câmaras Municipais de Castelo de Vide e Marvão, Lisboa, 1988. Bacharel por Coimbra, Conservador do Tombo, Professor de Letras, Sócio do Instituto, da Academia, da Associação e da Sociedade, Possidónio Laranjo Coelho legou-nos este alfarrábio, em boa hora revisitado pelo colectivo de dois municípios que, para o efeito, subiram à capital.
Um corpus de saber coligido à custa de queimar muita pestana e palmilhar muito campo pátrio.
Contra as ignorâncias atrevidas, o velho sábio foi “para fora, cá dentro” e pôs tudo em pratos limpos. Honra lhe seja.
“DO VASILHAME VINÁRIO”, Museu do Povo da Beira, Viseu, 1967. Nas palavras que abrem este catálogo de exposição, Russell Cortez adverte, para que não haja surpresas: “Temos conhecimento do aparecimento de restos fósseis da vide em Portugal. Nos lignitos do Pliocénico Superior de Marrazes, arredores de Leiria, foram encontradas numerosas graínhas de uvas. Estas graínhas da vitilis silvestris que têm 5mm de alto por 3,5 a 4mm de largura máxima, são presentemente os mais remotos documentos paleontológicos que nos provam vicejar esta planta termófila na área ora ocupada por Portugal”.
E eis que penetramos num mundo injustamente ignoto, onde a garrafa sextavada, o decantador de meio cristal, o par de garrafas representando um oboé, o galheteiro de vidro opalino, a corna para vinho, o pipo tipo borracha ou o mascoto de ferro deixam o olvido a que se encontravam votados e, de novo, assentam praça nas nossas almas sequiosas das cousas boas que as termófilas sabem trazer consigo.
Afonso, Mário Simões Pereira Garcia- “MÉTODO DE CAVAQUINHO (VULGO – SEBENTA)”, Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra, Coimbra, 1981. Logo na introdução, Mário Afonso (se me é permitida a economia) antecipa uma “época de ouro” para este tão peculiar cordofone.
E como não?, posto que, entre os considerandos do autor e o repertório proposto, logo nos vemos assolados por um frémito cavaquistico:
Para começar, constituem auxiliares da mão direita as unhas, coisa com que todos contamos, em número de cinco, excepção feita à grada figura de Shéu Han, que, a crer na lenda, possui seis destes auxiliares.
Posto isto, toca a tocar: o “Merca Melões de Coimbra”, o “Ó Barreirinha (Vareira Picada)”, o “Olha os Bons Pêros Assados!” ou o “Prière d’Enfant”, entre muitos e memoráveis temas da predilecção afonsina.
No final, um questionário testa-nos quanto à apreensão das matérias explanadas: “Quais os auxiliares naturais da técnica de mão direita?” (cá está, a eterna questão), “Em que posições da mão esquerda encontrou mais dificuldades?”(e quem as não sente, na tão propagandeada “canhota”?), etc, etc, etc..
Simões, Cunha- “DROGA: PAIS, PROFESSORES E GOVERNOS SÃO OS CULPADOS: CURA E RECUPERAÇÃO ATRAVÉS DAS PLANTAS MEDICINAIS”, Prima - Publicidade, Recriação e Informação, Ltd., Alcanena, 1996. Cunha Simões – autor de outros livros, como “Os Mistérios do Padre Miguel”, “Crónicas da Província e Intervenções Parlamentares” ou “Sexo e Magia Desencadearam a II Guerra Mundial” – não é um homem comum, conforme o prova este livro, de que é, simultâneamente, autor e herói.
Trata-se da narrativa de como, recorrendo ao melhor da ervanária, reabilita dois toxicodependentes, resistindo às sucessivas tentativas de suborno sexual de que é alvo por parte destas vítimas de tão aziago destino.
Capítulos como “A Diarreia”, “Terapia Cromática” ou “O Drogado é uma Bomba ao Retardador” são um misto perfeito de arte romanesca e espírito científico – e mui louvável serviço prestam à sociedade, mormente aos menos informados!
Mas o melhor, deixa-no-lo Cunha Simões para o fim: a listagem das ervas, a todos acessíveis, com que cortar pela raiz esta chaga social.
Se os políticos e os médicos perdessem a vaidade (valha-nos Dr. Horn!), outro galo cantaria.